Não muito longe de Paris, a Borgonha é uma ótima opção para quem deseja conhecer um pouco mais da França sem se distanciar muito da capital. Na região você encontra vinhos, queijos e uma culinária maravilhosa! Além disso, ao longo da viagem você se depara com paisagens incríveis e lugares megahistóricos – alguns reconstruídos, outros totalmente intactos na sua forma original.

Para o nosso roteiro de carro pela Borgonha, recomendamos uma viagem de 7 a 10 dias. Para dormir bem você tem uma série de campings pela região, mas se preferir passar noites mais tranquilas sugerimos que você durma em Vezelay, Autun, Beaune e Dijon.

Vinhos da Borgonha: Você pode começar a sua roadtrip partindo Paris. A nossa primeira parada fica a apenas 2h15 da capital pegando a autoestrada A77 que vai direto para a região da Borgonha. O pedágio sai €8,20, mas a estrada é super bem equipada com áreas de descanso que tem mesinhas de piquenique e parques para as crianças brincarem.

Vinhos da Borgonha

CHÂTEAU DE GUEDELÓN

Esse castelo feudal data de 1997. Sim, de 1997! Já faz 15 anos que, na floresta do noroeste da Borgonha alguns entusiastas trabalham na construção de um castelo medieval. E mais, todos eles estão vestidos à caráter e usam ferramentas da Idade Média, o que faz do lugar uma ótima parada para crianças (e adultos também!). O hall principal acaba de ser finalizado e a previsão de término da obra é para o ano de 2023. Você pode observar os trabalhadores cortando as vigas de madeira e até mesmo tingindo as roupas que irão vestir. No terreno, que mais parece uma aldeia medieval, você também encontra alguns animais aqui e ali.

Vinhos da Borgonha Vezelay

VEZELAY

A cidade está na rota dos peregrinos rumo a Santiago de Compostela. Foi ali que os monges encontraram as relíquias da Santa Maria Madalena no século 11. Na cripta da basílica que fica no topo da aldeia você encontra um dos ossos da Santa. A basílica em si não é autêntica, grande parte do edifício foi reconstruído após a Revolução Francesa. Vale ir atrás da construção para conferir a vista panorâmica dos campos e pequenos bosques nos arredores. Na hora da fome coma uma quiche ou omelete no Au Tastevin (22, Rue Saint-Etienne – 89450 Vézelay) – ali tudo é sem conservante e sem glúten. Achei o patrão simpático, mas no TripAdvisor o serviço é bem criticado.

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MORVAN

O Parque Nacional de Morvan é uma reserva de mais de 2500 metros quadrados que conta com mais de 150 espécies de passarinho e trilhas para caminhar ou andar de bicicleta. É uma delicia passear por ali ainda mais no verão, quando você pode fazer caiaque e nadar nos lagos do parque, o mais popular é o Lac des Settons – onde você pode acampar e tomar um solzinho nas pequenas praias. No meio do parque você tem alguns castelos abertos para a visita, vale a pena conhecer o Château de Bazoches o Château de Chastellux. Nas aldeias que pipocam aqui e ali você tem cafés e restaurantes locais, ótimos para uma pausa de almoço ou um cházinho da tarde.

Vinhos da Borgonha

AUTUN

Nos portões da parte sul do Parque Nacional de Morvan fica Autun, uma pequena cidade fundada pelo imperador romano Augustus. Ali você encontra alguns monumentos que datam de dois mil anos atrás, incluindo dois dos portões da cidade, o anfiteatro Gaul e a pirâmide Pierre de Couhard no que costumava ser a necrópole de Autun. Além das ruínas do império romano você também encontra uma linda catedral do século 12, a Cathédrale Saint-Lazare d’Autun que é a principal atração da cidade.

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CLUNY E ARREDORES

A história de Cluny é um pouco triste, a abadia costumava ser a mais rica do mundo cristão. Mas depois da Revolução Francesa muita coisa mudou e só foi piorando. Em 1810 a gigantesca igreja que datava do século 11 foi derrubada. Ainda sim vale a pena a visita para conferir as ruínas da enorme abadia. Na cidade de Cluny você ainda tem ótimos bares e restaurantes para tomar um vinho depois da visita. Não deixe de fazer um tour de carro pelos arredores, visite o povoado feudal de Brancion que conta com um castelo, uma igreja e algumas casas medievais.

BEAUNE

Beaune é uma cidade antiga que fica ao sul de Dijon. Estacione o carro e explore a cidade a pé. Passeie pelas ruas de paralelepípedo e observe os prédios da Idade Média. No centro fica o Hôtel-Dieu, um hospital do século 15. O enorme edifício tem um telhado maravilhoso feito com azulejos vitrificados próprios da região. Vale também ir à Place Fleury na casa de Jean de Saulx, antigo chanceler da Borgonha.

Experimente as mil e uma variedades de queijo artesanal da Fromagerie Hess e deguste o presunto com salsinha e a terrina de primavera da Charcuterie Raillard (4, Rue Monge).

Beaune é o centro da indústria vinícola da região, as ruas da cidade são pontilhadas por lojas de produtores de vinho, salas de degustação, bares de vinho, empórios e tem até o museu do vinho (Hôtel des Ducs de Bourgogne, Rue d’Enfer/Rue Paradis). Em uma igreja medieval você também encontra o mercado de vinhos, o Marché aux Vins de Beaune, que propõe excursões com degustação de 11 vinhos locais. As excursões são realizadas diariamente às 10h30, 13h e 17h e custam de €9 a €27 euros.

Vinhos da Borgonha: No restaurante Ma Cuisine (Passage Saint-Hélène) você pode combinar os mais variados tipos de vinho com os clássicos da gastronomia regional. A lista de vinhos começa com um branco aligoté de €24. Para acompanhar você tem diversas opções de aperitivos como esgargots, ovos escalfados e ovos pochés com molho de vinho, chalotas e bacon. Como prato principal você tem peito de pato grelhado e o boeuf Bourguignon. Um jantar para duas pessoas, sem vinho, sai em torno de €100. Não esqueça de fazer a reserva.

Para um jantar chique vale degustar o melão confitado com caramelo e as ostras com tartare de carne do Le Jardin des Remparts. Os apaixonados por vinho podem ir no restaurante familial Loiseau des Vignes que serve 70 tipos de vinho, o jantar para duas pessoas sai €210.

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DIJON

Vinhos da Borgonha: Dijon, antiga capital dos poderosos duques da Borgonha, é uma cidade histórica com um centro que pode ser facilmente explorado a pé. Ande pelo bairro medieval de Notre-Dame para admirar a arquitetura das casas que varia entre os estilos medieval, renascentista, barroco a arquitetura típica do século 19.

Dijon também é um ótimo lugar para experimentar a cozinha borgonha. Não perca o suntuoso mercado da cidade (Halles centrales et marché central Les Grésilles) que acontece às terças, sextas e sábados. Ali você encontra pastelarias, presuntos defumados e chocolate caseiro.

Em um mosteiro beneditino da cidade você tem o Museu Arqueológico (5, Rue docteur Maret)que distribui em três andares a história da Borgonha e algumas exposições temporárias de arte e fotografia.

De carro ou, ainda melhor, de bicicleta, você pode fazer um passeio ao longo da mítica Route des Grands Crus – uma viagem de 60km ao longo da região vinícola Côte d’Or que parte de Dijon e vai até Santenay. Essas terras produzem vinhos desde 500 a.C e é ali que você encontra alguns dos campos mais bonitos da França.

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ABADIA DE FONTENAY

A igreja, o dormitório, o pombal e o claustro sobreviveram ao tempo e às revoluções. Hoje a abadia cisterciense fundada por Saint Bernard em 1119 continua intacta. Por pertencer à ordem de Cister a abadia em si não tem grandes luxos o que dá ainda mais destaque à arquitetura do lugar. Chegue no local um pouco antes da abertura para evitar a muvuca de visitantes durante a tarde e aproveitar a calmaria da abadia.

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CHÂTEAU ANCY-LE-FRANC E DE TANLAY

O castelo de Ancy-le-Franc é bem sóbrio com uma clássica fachada em branco – tudo pensado pelo arquiteto italiano Sebastiano Serlio. Mesmo que o acesso à parte exterior seja proibido, a visita vale super a pena só pelo interior do castelo. Não muito longe dali fica o Château de Tanlay, um castelo ainda mais fascinante, cheio de torres, um poço e até uma ponte levadiça – tudo numa vibe mais de conto de fadas.

Vinhos da Borgonha: Depois do Château de Tanlay, você pode dar uma esticada para Noyers – uma minúscula cidade medieval bem charmosinha, para enfim seguir o caminho de volta para Paris. Sim, você acaba de dar a volta por toda a Borgonha. UHUL!


Tem alguma região em particular que você queira conhecer? Conta nos comentários que a gente improvisa um roteiro para ontem! 😉

Author Giovanna

Blogueira no portal do Estadão e jornalista formada pela Sorbonne, Giovanna se mudou de vez para Paris em 2014, desde então ela percorre a Cidade Luz dia e noite com a sua Nikon pendurada no pescoço e um bloquinho de notas na bolsa.

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